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por André de Virgiliis

Na onda das mobilizações digitais acho legal falar sobre uma campanha publicitária que teve forte impacto no primeiro semestre desse ano. Em meados de março, o gigante Greenpeace produziu um viral como forma de protesto contra algumas práticas adotadas pela multinacional Nestlé na produção de um chocolate da marca. A campanha se chama “Ask Nestlé to give rainforests a break” (Peça à Nestlé para dar um tempo às florestas),  em alusão ao slogan do produto “Dê um tempo, coma um Kit Kat”.

 O viral produzido pelo Greenpeace que abalou as estruturas da Nestlé 

O Kit Kat – que acaba de voltar ao mercado brasileiro, mas é um dos doces mais populares nos EUA e na Europa – leva óleo de palma, também conhecido como azeite de dendê, em sua receita. O problema é que esse ingrediente era comprado de uma empresa chamada Sinar Mas, a maior destruidora de florestas na Indonésia.

Segundo o pessoal do Greenpeace, essa empresa desmata áreas gigantes para a plantação das palmeiras. Devido a essa atividade, a Indonésia aparece em terceiro lugar entre os maiores emissores de gases do efeito estufa. A fauna local também está diminuindo graças ao recuo das matas. Por isso, a campanha usa o orangotango como símbolo, a espécie, em extinção, está próxima de desaparecer no país.

A estratégia do ONG fundada no Canadá era viralizar o vídeo na internet. Os que aderiram à causa contribuíram boicotando a empresa, mandando e-mails e ligando para o SAC da Nestlé e divulgando o vídeo por Facebook, Twitter e outras mídias sociais. As notícias sobre o andamento da coisa podia – e ainda pode – ser visto no hotsite criado para a causa.

O vídeo chegou a ser retirado do Youtube, o que deu um novo gás ao movimento. Recolocado no ar por pessoas no mundo inteiro, o número de visualizações explodiu. Ao todo, 1,5 milhões assistiram ao viral.

Kit Kat Killer

Imagem usada por usuários do Facebook que aderiram à causa

O Facebook foi outro canal de enorme importância para os ativistas. A Nestlé sentiu a pressão dos comentários deixados por usuários da rede social nem sua página. As mensagens incentivavam o boicote e atacavam a integridade da empresa. Muita gente optou também por trocar a foto de perfil por imagens de orangotangos, florestas destruídas ou o logo “Kit Kat assassino”.

Deu certo, e foi rápido. No mesmo mês, a multinacional anunciou que não compraria mais a matéria-prima da Sinar Mas. Mas, segundo a ONG, a declaração não passava de uma manobra para reduzir os danos à imagem da marca e a Nestlé continuaria comprando o óleo do fornecedor asiático, só que por fornecedores indiretos. A primeira resposta da empresa suíça também veio com a promessa de que até 2015 apenas óleo de palma com sustentabilidade certificada seria utilizado.

 Vídeo da ação direta promovida pelos ativistas do GP em encontro de CEOs da Nestlé

A reação foi tomada como insuficiente pelos ativistas, que não abandonaram a campanha. E ainda em maio veio o sucesso. A multinacional que está no Brasil desde 1876, divulgou que não vai mais comprar nenhuma matéria-prima de fornecedores que tenham plantações ou fazendas de alto risco ligadas ao desmatamento. Apenas dois meses foram necessários para que os suíços reconsiderassem sua política. Uma velocidade inacreditável! E para não restarem dúvidas, o  Greenpeace se comprometeu a fiscalizar as atividades da superpoderosa Nestlé.

Ta aí mais um exemplo concreto das possibilidades de intervenção social que a internet trouxe. Força, agilidade, versatilidade e velocidade são as palavras-chave em mais esse caso.

Vai ver que ficar parado na frente do computador não é tão inútil quanto a sua mãe pensava.

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