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por André de Virgiliis

Protestos em Londres

A violência marcou os protestos no Reino Unido

Um dos assuntos quentes no fim de semana foi a ameaça de censura às mídias sociais pelo governo britânico. O primeiro-ministro, David Cameron, revelou estar estudando o cancelamento de alguns meios de comunicação digital. O objetivo é frear a onda de protestos e violência no país, mas será que os fins justificam os meios? Em coletiva de imprensa na historicamente democrática Câmara dos Comuns, Cameron mostrou acreditar que sim, “quando as pessoas utilizam mídias sociais para a violência, temos que barrá-las”.

Caso a ideia seja realmente aplicada, o Reino Unido entraria para um clube com membros de peso como China, Irã e Síria. Estados dominados por regimes autoritários, muito diferentes do que existe no país europeu.

As capas de jornais e os noticiários brasileiros deram bastante espaço às notícias relacionadas aos protestos. Editoriais, colunas e matérias generosas foram dedicadas ao tema. Sociólogos e mais sociólogos vieram à luz para opinar – até o lendário Zygmund Bauman falou sobre o tema ao OGLOBO.

O problema é que alguns dos meios de comunicação tradicionais abordaram a situação de forma maniqueísta, preocupados apenas em rotular e criminalizar os protestantes.  Foram poucos os que se arriscaram a ir além.

A internet trouxe novas possibilidades de intervenção social

O que mais impressiona, nesse caso, não é o protesto em si, motim ou revolução social legítima.  Mas sim o fenômeno da organização de insurreições populares pelas novas mídias.

Síria e Espanha foram exemplos do que se pode realizar sentado em frente a um computador. Afogado em revoltas, o governo árabe optou por censurar esses novos veículos apenas três meses após ter liberado o uso, mas não adiantou e o gabinete do primeiro-ministro Muhammad Naji al-Otari renunciou.

Na Espanha, o 15-M, movimento de reivindicação social que movimentou centenas de milhares de espanhóis de todas as idades, também foi organizado pela internet. Nesse caso a sublevação não veio de mãos dadas com violência e vandalismo e os líderes do país conseguiram amornar o problema.

Estudantes foram às ruas no Chile por reforma educacional.

No Chile, os 1300 estudantes detidos em protestos por uma reforma educacional dão liga à tendência. A situação fez com que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) e a Anistia Internacional usassem o termo “repressão” e pedissem que as autoridades chilenas moderassem o uso da força. A pressão nas ruas obrigou o governo a abrir uma mesa de diálogo para chegar a um acordo com os revoltados. Tudo isso em apenas uma semana.

A internet é um espaço democrático de informação, comunicação, organização e transformação social. E tudo isso em uma velocidade e agilidade nunca antes experimentadas. Os governantes vão ter que aprender a lidar com essa nova realidade. E isso é positivo! Quando não se sabe muito bem como lidar com uma nova forma de questionamento e resistência, os governos tendem a apelar ao primitivismo da censura. Mas não adianta tapar o sol com a peneira. A revolução será “digitalizada”.

Pra quem se interessar em saber mais sobre o 15-M, eu pude acompanhar os acontecimentos pessoalmente e relatar no meu outro blog.

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